De “Joneses” e humanidade, todo mundo tem um pouco

Se você não curte spoilers ou não assistiu esse filme, não leia o resto desse texto. Assista o filme!

Do que se trata: o puro “American Way of Life”; sociedade de consumo; capitalismo.

Os “Joneses” são uma família simulada, ou seja, são uma família, mas de aparências. Uma empresa monta unidades compostas por pessoas aparentemente perfeitas. Um marido, uma esposa e um casal de filhos. Todos são charmosos e populares. O trabalho deles? Vender o estilo de vida americano.

Há várias unidades espalhadas por diversas cidades. Eles chegam e começam a se sociabilizar ao mesmo tempo em que mostram os produtos e, também, as consequências positivas que tais produtos podem agregar à vida.

Como eles fazem isso? Depende. Cada um tem um papel. O pai por exemplo, frequenta clubes de golfes e usa tacos que, segundo ele, são o segredo pelo seu melhor desempenho. Enquanto joga, fala com sua linda esposa (Demi Moore) ao celular, por vídeo. Enquanto isso, a esposa também está mostrando o celular e o marido em um salão de belezas.

Os filhos, frequentam a universidade e lá mostram os produtos como se fosse de forma espontânea. Marketing Pessoal!

No entanto, no meio do filme, a humanidade começa a aparecer em cada um deles. Existe o lado profissional, mas as pessoas têm sentimentos.

Sr. Jones por exemplo, começa a sentir que aquilo é realmente uma família e em seu desejo, de certa forma, começa a tentar mudar atitudes para que a unidade tente se relacionar como pessoas ao menos no day-off.

A filha se apaixona por um Gigolô e depois descobre que o cara era casado e mulherengo. Consequência: toma “a bota” e liga para a Sra. Jones que a ampara com um abraço, deixando de lado o business por un instante.

O filho é homossexual e numa festa, enquanto vende os produtos, dá em cima do irmão da garota que tem uma queda por ele. Consequência, a garota persegue os dois no carro e sofre um acidente. Ao tentar beijar o irmão da garota no outro carro, o Jones Jr. é esmurrado.

E o filme continua com as vendas.

No final, um dos personagens fica sufocado pela pressão de satisfazer as necessidades de consumo da esposa, que precisa ter os produtos mostrados para atingir a felicidade. O marido satisfaz os desejos e compra tudo, mas para isso, se afunda em dívidas até chegar ao ponto em que deverá vender a casa. Antes de contar à esposa, se suicida.

Mr. Jones não aguenta a pressão e conta a verdade em público. O resto da família foge. E o ciclo recomeça com outro marido. Eis que numa noite, em outra cidade, o ex-Sr. Jones surge e pede para Demi Moore fugir/ficar com ele, após hesitar, ela vai atrás e o filme termina.

Na sociedade atual, precisamos de famílias “Joneses” para comprar produtos e tentar refletir que somos melhores do que outros pelos produtos que temos? Acredito que não. Por que comprei um Macbook em vez de um Sony Vaio ou um Dell?? Por que comprei aquela jaqueta na Zara 70 $ se poderia ter comprado uma parecida por 40 $??

A família “Joneses” no caso, são as marcas, as propagandas e, principalmente, nós! Quando se compra algo novo, além de utilizar o produto, você quer que alguém o veja usando. Ou seja, você está mostrando o produto, você o está exibindo e vendendo, mesmo que de forma inconsciente! Nos tornamos escravos de marcas e produtos que não precisamos. Por que? Estilo, status, fazer inveja ou mostrar poder de compra.

Ao comprar algo que outra classe não pode, por exemplo, a pessoa se exclue de tal classe. Há críticas… sempre!

Um empresário que compra uma Ferrari, definitivamente está comprando status, isso é sabido. Pessoas de outras classes que não tem poder de compra para tal, criticam o camarada. “Pra que comprar uma Ferrari?” No entanto, esse mesmo camarada de classe média alta vai comprar uma SUV de 120.000 R$, da mesma forma que o cara de classe média vai comprar um Gol ou um Palio e, também, da mesma forma que um cara de classe média baixa vai comprar um celular de 600 R$ para andar de transporte público. No final, qual a diferença?? Todos de certa forma não estão comprando status?? Um status adequado ao poder de compra mas não muda nada!

Você já ficou apaixonado por um produto que sabia que estava com o preço valorizado e o comprou? Após comprar o mesmo, você pode até ter se sentido realizado, mas quanto tempo durou a “felicidade”?? O filme é surpreedente e faz uma reflexão sobre o que importa. É uma crítica a sociedade atual, perpicaz e sagaz.

No fim das contas, não importa o quanto você gaste ou o quanto você tente ser alguém que você idealize. Somos humanos diferentes e uma hora ou outra, o que vai realmente te diferenciar não são os produtos que você pode comprar, mas a quantidade de pessoas que você pode influenciar sendo quem você realmente é.

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Sobre Albert Takahashi
Brazilian-Japanese, gratuated in advertising, home-broker, traveler, experiencialist, blogger, tweeter guy, youtuber, digital influencer, living/studying French in Montréal currently, analysing the human behaviour and its interaction with the social media.

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