New York 4: Análise dos americanos e o Intrepid

Minha visita ao Intrepid aconteceu por acaso. No ônibus da companhia de turismo chinesa – Wonder Travel – eu e meus amigos soubemos que deveríamos comprar pelo menos 3 atividades. Como dito em outro post anterior, escolhemos a Estátua da Liberdade, o Rockefeller Centre e, meio que por falta de opção, visitar o museu Intrepid Sea-Air-Space.

O Intrepid ou “The Fighting I”, é um encouraçado gigante construído durante a Segunda Guerra Mundial pela Marinha norte-americana. Além de combater os japoneses na região de Pearl Harbor, foi usado na Guerra do Vietnã – servia também como base para aviões de guerra.

Isso explica porque escolhemos essa atividade por falta de opção, além de ser a mais barata, quem se interessa realmente por um museu da marinha americana????

Pois é… mas sabe aquela história de criar expectativas positivas e se frustrar? O inverso pode ocorrer e, no meu caso, aconteceu.

Por dentro do Intrepid:

Gigante. O museu é dividido em várias áreas, lá dentro há restaurantes e acredito que ao todo uns 5 andares. Nas salas nos andares de baixo, é possível ver que os marinheiros viviam em condições extremas, pois as passagens eram estreitas e a temperatura fria. Na parte de fora, vários aviões e helicópteros pintados, além de um submarino. É possível entrar dento do submarino e de um avião – mas é apertado e nada demais na minha opinião, no entanto, uma vez lá, compensa conhecer. É possível entrar em simuladores, mas deve-se pagar à parte.

Fotos:

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Agora vou explicar porque o museu me surpreendeu. Entramos numa sala para assistir um filme de uns 20 minutos sobre a história da embarcação. Você sente o forte “yankismo” e a imparcialidade.

O filme começa mostrando marinheiros vivos relatando as condições que viviam, o sentimentos e emoções. O que me surpreendeu foi que eles sentiam orgulho de derrubar o inimigo e realmente acreditavam estar brigando por algo que fazia sentido – justificativa básica de qualquer guerra: lutar pelo país e para proteger a família. Embora compreenda que eles foram educados dessa maneira, ou melhor dizendo, não tiveram uma educação que os ensinasse a refletir, nada justifica uma guerra para mim. É tudo “BULLSHIT” (pegando leve).

Continuando… imagens de marinheiros americanos com os olhos marejados dizendo: “eu perdi muitos amigos” e outras frases nessa linha. É comovente, afinal, se entendermos que eles eram “peões” ignorantes que acreditavam em um razão vazia, não podemos os culpar. No entanto, porque não mostraram também os japoneses sobreviventes chorando e dizendo que perderam amigos? Para ser justo, vou até dizer que mostraram um general japonês falando dos sentimentos e perdas, mas foi rápido e sem “musiquinha emocional”.

Em outra cena, um dos marinheiros fala algo do tipo: “nós tínhamos que derrubar cada avião deles, era uma questão de honra e proteger nossas famílias” – com um tom de orgulho real na voz e com uma música de fundo revigorante. Nesse momento comecei a pensar, está certo que eles ainda são “o império” no mundo, mas será que nas escolas as crianças são ensinadas ter essa mentalidade? E, infelizmente, me lembrei da paródia de “Os Simpsons” mostrando como a ideia do alistamento militar é vendida nos EUA e, também, dos comerciais incentivando o alistamento. As pessoas estão aprendendo que se houver uma guerra iminente, elas devem se alistar e, pior, sentir orgulho em matar outros jovens de qualquer nação.

Depois do filme estávamos meio chocados quando vimos um quadro “arrogante”.

foto:

O número de bandeiras japonesas era o número de aviões que o Intrepid ajudou a derrubar. Pendurado como uma espécie de troféu por ter matado vários japoneses. Não estou dizendo que os japoneses eram coitados, afinal, em jogos de guerra, não há vítimas.

Devo dizer que estávamos em 8 pessoas (3 holandeses, 1 colombiana, 1 francês, 2 italianos e eu) e tívemos a mesma impressão: a falta de respeito pelo ser humano. Como eles podem mostrar aquilo daquela forma? Até coloquei a questão para minha amiga italiana dizendo que, talvez, nos museus japoneses ou do Vietnã, a mesma concepção estava sendo mostrada sob outra perspectiva. Ela foi categórica ao dizer: “Não”. E me disse que pelo menos na Europa, não é assim, mais especificamente falando na Alemanha (ela é uma italiana-alemã-espanhola… não me pergunte, não sei como explicar).

Minha ideia foi suportada, também, pela visita que fizemos à Estátua da Liberdade com um táxi-boat, no qual um guia turístico estilo “stand-up comedy” fazia a apresentação da ilha de Manhatan de maneira irreverente. Foi então que passamos perto do ”Ground-Zero” – lugar onde costumava existir o WTC ou as “Torres Gêmeas”. Ele mudou um pouco o tom e começou: “esse é o lugar onde o WTC foi derrubado, mas sabem de uma coisa? Há um projeto para construir outro arranha-céu bem maior que o existente ali. Não adianta vir nos atacar porque nós somos os Estados Unidos da América e, não importa quantas vezes nos derrubarem, nós vamos nos levantar”. Foi algo do tipo, mas soou como um aviso, como se, se houvesse um terrorista na embarcação, tal deveria ter cuidado. Tsc Tsc Tsc… tão “yanke”.

Para finalizar, não vou isentar os brasileiros (genéricamente). Desde criança ouvi muitas pessoas dizendo que os EUA eram ”maus” e tal. Mas sempre me perguntei o por quê, afinal, para mim, sempre foi uma questão de política. Quem está no topo sempre vai se achar melhor que o outro, mesmo não sendo. Esse tipo de pensamento acontece em empresas, acontece em classes sociais e etc. A diferença é a dimensão ou a proporção, mas a atitude e o sentimento, acredito, são os mesmos.

Uma vez assisti uma reportagem, no qual um jornalista perguntou a um motoboy o que ele achava de Bush ou do governo americano. O motoboy disse: “não, o governo tem que mudar”. O jornalista perguntou o motivo e ele respondeu: “o cara provoca guerra”. Sei que é triste, mas só me lembro disso porque quando ouvi isso, não pude conter meu riso por pelo menos uns 5 minutos. E enfim, por que as pessoas odeiam os americanos? Sei lá. Só sei que o fato da pessoa nascer em qualquer posição geográfica não significa que ela não tenha caráter.

E essa foi a explicação do por quê a visita ao Intrepid foi interessante para mim. Foi de certa forma, esclarecedora.

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Sobre Albert Takahashi
Brazilian-Japanese, gratuated in advertising, home-broker, traveler, experiencialist, blogger, tweeter guy, youtuber, digital influencer, living/studying French in Montréal currently, analysing the human behaviour and its interaction with the social media.

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