Desafios do próximo presidente: Política Externa (Via Yahoo!)

Por Fernanda Pompeu

spiões saindo do frio, 007s saltando de aviões em pleno ar e mundo livre versus cortina de ferro ainda têm uma sobrevida nos roteiros de Hollywood, mas na vida real das relações internacionais são representações folclóricas. Elas pertencem ao museu da Guerra Fria, quando as nações se dividiam em dois polos de influência e coerção. De um lado, os Estados Unidos invadindo países em nome da democracia; do outro, a União Soviética disparando canhões em nome do socialismo.

Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e a dissolução da União Soviética em 1991, o capitalismo de modelo americano e europeu virou o dono da verdade e o caminho invejado pela maioria. Mas a história seguiu surpreendendo e produzindo eventos notáveis, como criação da União Europeia, o agigantamento da economia chinesa, o ataque de 11 de Setembro, a chamada guerra ao terror, a consolidação da democracia no Cone Sul, a invenção da web 2.0, com suas redes sociais, o estremecimento das economias robustas, a eleição do presidente negro Barack Obama. No entanto, a mudança mais significativa no cenário internacional talvez tenha sido a entrada de novas vozes nos fóruns internacionais.

Entre essas vozes, sem margem de dúvida, está o Brasil. De país com o selo de Terceiro Mundo, eternamente deitado em berço esplêndido, passou a país emergente; cheio de opiniões. Podemos dizer que o Brasil entrou no clube dos interlocutores importantes.

Entre as principais ações, está a participação ativa no G20, grupo de países da América Latina, África e Ásia que tentam fazer um contrapeso com o G8, que reúne os países mais ricos do mundo. Também marca presença no chamado Bric (acrônimo para Brasil, Rússia, Índia e China), reunião de economias em expansão. Soma-se a isso a reivindicação brasileira de ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, seleto grupo de países que censura ou legitima as guerras.

O Brasil também tem adensado as relações com os países da América Latina. Exemplo é sua presença marcante no Haiti, país recheado de carências econômicas e institucionais. Para o brasileiro Ricardo Seitenfus, representante especial da Secretaria Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) no Haiti, “o grande desafio do Brasil na reconstrução do país, mesmo antes do terrível terremoto que devastou a capital Porto Príncipe, é aumentar a qualidade das Operações de Paz da ONU, tornando-as mais complexas e mais sensíveis aos verdadeiros problemas dos haitianos, que são o baixíssimo nível socioeconômico e a altíssima instabilidade política”.

Mercosul
Na pegada mais comercial, o Mercosul, mercado comum criado em 1991, inspirado mais ou menos no modelo da União Europeia, firmou-se como uma união aduaneira, tendo o Brasil como o parceiro mais potente. Mas os opositores da política externa de Lula afirmam que o Mercosul não decolou e até estorvou.

Os críticos alegam que o governo brasileiro é fraco na defesa dos nossos interesses comerciais e vacilante em assumir o papel de líder. Muitos esperam que o novo presidente flexibilize o Mercado do Sul, a fim de permitir mais espaço para acordos bilaterais. Entenda-se: mais espaço para negociações diretas com os Estados Unidos.

Segundo a oposição, Lula estreita relações mais ideológicas do que comerciais com os países da região. Citam o chamego do presidente com Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Raúl Castro (Cuba). Todos esses mandatários, em menor ou maior grau, têm coloração de esquerda e uma desconfiança tremenda da política externa americana. Basta lembrar das continuadas tensões entre os governos venezuelano e colombiano.
Já Ricardo Seitenfus discorda de que haja ideologização na conduta do Itamaraty: “O governo Lula pratica uma política ´ecumênica´, se relacionando tanto com a Colômbia do [ex-presidente] Álvaro Uribe quanto com a Venezuela de Chávez”.

Há também os que acham que o Brasil está se metendo em áreas onde nunca foi chamado, como o Oriente Médio, sem ganhar nada em troca. Não vêem como prudente nem produtivo azedar as relações com o país mais poderoso e agressivo do mundo. É o caso do recente episódio com o Irã, no qual Lula se empenhou pessoalmente para conseguir, junto com a Turquia, um acordo que acalmasse americanos e europeus que suspeitam que o presidente Mahmoud Ahmadinejad esteja tramando a fabricação de uma bomba atômica. No fim, não houve acordo nenhum e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, puxou a orelha do Itamaraty.

Reginaldo Mattar Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, vê diferente. Ele acredita que os focos de tensão com os americanos fazem parte do jogo diplomático e são pontuais: “A relação entre os dois países nunca esteve tão boa. Os Estados Unidos enxergam o Brasil como um parceiro comercial muito importante e um mediador altamente confiável para apaziguar os ‘rebeldes’ da América Latina”.

O professor da PUC-SP também aponta que a grande diferença entre a política externa de FHC e a de Lula é que “com FHC, a relação com os Estados Unidos era incondicional, ao passo que com Lula essa relação é sob condições”.

Já o professor especialista em política externa José Augusto Guilhon Albuquerque, do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP, acredita que “o Brasil, ao se solidarizar com ditadores que desrespeitam flagrantemente os direitos humanos, a exemplo de Cuba e do Irã, perdeu credibilidade nos fóruns internacionais mais importantes”.

Guilhon afirma que “caberá ao novo presidente muito trabalho para recuperar a credibilidade do país e pôr a bola no chão”. A maior parte da mídia brasileira não viu com bons olhos a camaradagem Lula-Ahmadinejad e ressaltou que o ditador iraniano, entre outras violências, é adepto do apedrejamento de mulheres adúlteras, como no caso, ainda em curso, da cidadã iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani.

África
Outra aproximação interessante, e especial para os brasileiros, é com a África. Verdade que ela começou muito antes do atual governo. Verdade também que se aprofundou no governo Lula. Hoje, existe uma forte presença de empresas brasileiras, entre elas Petrobras, Odebrecht e Vale, no continente africano. Exemplo dessa aposta na economia africana é a parceria estratégica entre Banco do Brasil, Bradesco e o português Banco Espírito Santo. A holding financeira visa operar em mercados jovens e promissores. Para muitos analistas, a aproximação com a África extrapola os interesses comerciais. Ela teria um alto significado político e cultural.

Polêmicas incluídas, seja quem for que suba a rampa do Palácio do Planalto, em janeiro de 2011, levará junto a responsabilidade de aumentar o diálogo com as outras nações em um mundo cada vez mais complexo e interdependente.

Além, é claro, da obrigação de preparar estádios, aeroportos, transportes públicos, segurança e a população para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Dois eventos altamente midiáticos que irão expor o Brasil aos olhos do mundo.

Fonte: Yahoo!

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Sobre Albert Takahashi
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4 Responses to Desafios do próximo presidente: Política Externa (Via Yahoo!)

  1. car rims says:

    ghost ride that whip

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