Georg Trakl: “De Profundis”

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DE PROFUNDIS
Há um restolhal, onde cai uma chuva negra.
Há uma árvore marrom;ali solitária.
Há um vento sibilante, que rodeia cabanas vazias.
Como é triste o entardecer

Passando pela aldeia
A terra órfã recolhe ainda raras espigas.
Seus olhos arregalam-se redondos e dourados no crepúsculo,
E seu colo espera o noivo divino.

Na volta
Os pastores acharam o doce corpo
Apodrecido no espinheiro.

Sou uma sombra distante de lugarejos escuros.
O silêncio de Deus
Bebi na fonte do bosque.

Na minha testa pisa metal frio
Aranhas procuram meu coração.
Há uma luz, que se apaga na minha boca.

À noite encontrei-me num pântano,
Pleno de lixo e pó das estrelas.
Na avelãzeira
Soaram de novo anjos cristalinos.

Georg Trakl

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Sobre Albert Takahashi
Brazilian-Japanese, gratuated in advertising, home-broker, traveler, experiencialist, blogger, tweeter guy, youtuber, digital influencer, living/studying French in Montréal currently, analysing the human behaviour and its interaction with the social media.

One Response to Georg Trakl: “De Profundis”

  1. armandogt says:

    Grande Trakl,
    Quando tinha 16 anos me deparei com uma colecao de poemas dele, bilingue (alemao-portugues) foi o meu primeiro contato com a lingua alema. De profundis e classico. E o poeta tambem tem uma historia de interessante. Lutou na 1 Guerra Mundial e tudo mais. Parabens pelo post.
    http://imaginarybeing.wordpress.com/

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